IMPACTOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS PARA A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA
REFLEXÕES A PARTIR DA APOROFOBIA
Resumo
Analisa as intersecções entre mudanças climáticas, pobreza, vulnerabilidade social e população em situação de rua, sob a perceptiva da aporofobia — o preconceito contra os pobres. As mudanças climáticas tendem a afetar de maneira mais aguda as populações economicamente desfavorecidas, que dispõem de recursos limitados para lidar com as adversidades do ambiente urbano, tendo a rua como habitat. O problema de pesquisa é o questionamento acerca de como os impactos das mudanças climáticas, agravado pela, aporofobia (inclusive governamental) atingem as pessoas em situação de rua? A investigação parte da hipótese de que uma análise da aporofobia pode desvendar razões pelas quais as populações mais pobres enfrentam obstáculos ampliados na adaptação às mudanças climáticas. O objetivo é analisar a relação entre a aporofobia e a maior vulnerabilidade dessas populações aos efeitos climáticos adversos, considerando como o preconceito influencia na criação e destinação das políticas públicas na prevenção e mitigação das mudanças climáticas à população em situação de rua. A metodologia adotada inclui uma revisão sistemática da literatura pertinente a mudanças climáticas, pobreza e discriminação social e aporofobia, com o intuito de pesquisar como esses fatores se entrelaçam e afetam diversas comunidades, especialmente as que vivem em extrema pobreza, como aqueles em situação de rua. Os resultados apontam que a pobreza, exacerbada pela aporofobia, põe os indivíduos em um risco elevado durante eventos climáticos extremos. O estudo conclui que a aporofobia intensifica a vulnerabilidade das populações pobres às intempéries climáticas por aquelas não disporem do suficiente amparo governamental, nem de políticas públicas adequadas. Ressalta-se a necessidade de integrar considerações sociais e econômicas na avaliação dos impactos dos eventos da natureza a fim de reduzir as disparidades enfrentadas por esses grupos.