A MITIGAÇÃO DO RISCO REPUTACIONAL NOS PARTIDOS POLÍTICOS A PARTIR DOS PROGRAMAS DE COMPLIANCE

Autores

  • Alfredo Copetti Neto Centro Universitário Univel – Cascavel/PR, Brasil
  • Milena Thaís Kekhoff Utzig Centro Universitário Univel – Cascavel/PR, Brasil

Resumo

O presente trabalho tem por escopo responder à seguinte indagação: como o programa de compliance contribui para a mitigação do risco reputacional nos partidos políticos? Dessa forma, tem-se por objetivo verificar a importância da análise do risco reputacional nos partidos políticos para o desenvolvimento sadio da democracia, principalmente diante dos escândalos de corrupção, sendo esse o recorte que se dá ao trabalho. A metodologia de pesquisa utilizada tem por método de abordagem o dedutivo, cuja relação entre premissas e a cons-trução lógica do pensamento proporcionarão respostas ao problema de pesquisa, sendo a metodologia de procedimento a monográfica, ante a exploração de documentos e estudos que tratam do assunto. Parte-se de uma hipótese positiva de que os programas de compliance possuem elementos capazes de contribuir com a mitigação do risco reputacional das agremiações, a partir do estudo das ciências comportamentais. Os partidos políticos, instituições essenciais para o desenvolvimento da democracia e, justamente, por serem os intermediadores do interesse social e do poder político (Mezzaroba, 2001), estão em constante vigilância pela opinião pública, a qual é agente da construção repu-tacional dos partidos políticos. A reputação pode ser considerada uma ideia projetada, a partir da percepção que se tem do comportamento (Whitfield, 2015) que determinada pessoa física ou instituição desenvolve ao longo do tempo. A confiança, por sua vez, é um dos vetores da reputação (Carreras, Alloza e Carreras, 2013, n.p.), e impacta diretamente no desempenho eleitoral dos partidos políticos, à medida que confiar significa investir tempo, energia e recursos no outro, na esperança de que será cumprido o prometido (Whitfield, 2015, n.p.). Nesse sentido, a cobertura midiática realizada durante a Operação Lava-Jato – a qual investigou 169 filiados de partidos políticos dentre as 923 pessoas que tornaram-se réus em ações penais (Bertran et al, 2022) –, principalmente no seu auge, influenciou drasticamente a percepção que a população tinha a respeito dos partidos políticos enquanto instituição. Em 2018, o índice de confiança nos partidos políticos atingiu 16 pontos, numa escala em que 100 pontos revela “muita confiança” e o índice próximo à zero demonstra “nenhuma confiança” (Inteligência em Pesquisa e Consultoria, 2023). Essa percepção da opinião pública está atrelada a heurísticas e, no caso, à “cascata de disponibilidade”, heurística definida por Daniel Kahneman como “uma cadeia de eventos autossustentável, que pode começar de notícias na mídia sobre um evento relativamente menor e levar ao pânico público e ação governamental em larga escala” (2012, p. 181). Em decorrência, os programas de compliance, além de cumprir com os deveres de conformidade, devem voltar-se à mitigação do risco reputacional (Copetti Neto, 2019, p. 13), tido por um evento altamente improvável e de significativo impacto (Taleb, 2021), sendo esse um terreno fértil e desafiador de atuação dos programas de compliance no âmbito dos partidos políticos, a ser feito a partir da análise comportamental.

Biografia do Autor

Milena Thaís Kekhoff Utzig, Centro Universitário Univel – Cascavel/PR, Brasil

 

     

Referências

BERTRAN, Maria Paula et al. Neutralidade e viés judicial: filiação partidária e os réus da Operação Lava Jato. Scielo Preprints, 2022. Doi: 10.1590/scielopreprints.4689.

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Publicado

2025-10-02