O FENÔMENO SEXTING E A LEGISLAÇÃO MUNDIAL
Resumo
O advento da tecnologia digital e smartphones com acesso à Internet influenciaram muitos aspectos do desenvolvimento dos jovens, incluindo o desenvolvimento sexual (Dodjat et al., 2024). Com isso, um dos fenômenos que atualmente é objeto de muitos estudos é o “Sexting” - termo em inglês que significa a junção de Sex (sexo) e Texting (mensagem de texto). Uma atividade na qual um indivíduo usa tecnologia digital para enviar fotos, áudios ou vídeos nus ou sexualizados para colegas (Englander e Macoy,2018). Mais de 40 estudos estabeleceram que o Sexting adolescente ocorre com relativa frequência e é uma tendência crescente, compatível com a ubiquidade da posse de smartphones entre adolescentes (Strasburger, et al.,2019). O Sexting pode ser consensual ou não, porém de qualquer forma acarreta muitos prejuízos psicossociais para as vítimas, principalmente jovens, quando suas imagens são divulgadas na internet sem consentimento. Separar o Sexting, consensual ou não, da pornografia infantil real é um próximo passo crítico para as agências de aplicação da lei e formuladores de políticas alcançarem a tecnologia (Strasburger, et al.,2019). De acordo com Sceechler (2019), o mercado de pornografia infantil e juvenil e sua repressão através do direito penal vem crescendo mundialmente na última década. Um dos primeiros movimentos de cooperação internacional foi a “Convenção Sobre o Cibercrime”, firmada pelo Conselho Europeu, 2001, em Budapeste – Hungria, que teve 43 países como signatários, gerando uma colaboração entre os membros integrantes em investigações de crimes que ocorrem em países diferentes (Medeiros, 2010). Como problema de pesquisa destaca-se que o fenômeno Sexting vem crescendo com o advento das tecnologias digitais e está além das leis que regem os códigos penais universais. Além disso, o Sexting é complexo em seu entendimento, pois depende de fatores como simples consentimento, extorsão, vingança, abuso sexual ou pornografia infantil. Para isso, primeiramente deve-se ter o entendimento caso a caso e criar leis que contemplem cada questão. Como hipótese de pesquisa, conclui-se que muitos países já estão adequando seus códigos penais e criando leis que coíbem tais delitos, principalmente quando não consensuais e envolvendo crianças e adolescentes. O objetivo deste trabalho é levantar mundialmente o que países estão trazendo em termos de legislação envolvendo o Sexting. Os objetivos específicos são: Levantar definições e tipificação do Sexting; detectar quais países já estão mais desenvolvidos na legislação sobre Sexting; descrever as leis desses países e, por fim, realizar quadro comparativo das legislações. Trata-se de um estudo descritivo com abordagem qualitativa, por meio de pesquisa bibliográfica e documental centrada na legislação sobre o tema em diversos países. Pretende-se realizar um estudo comparativo de legislação entre alguns países desenvolvidos, subdesenvolvidos e emergentes. Optou-se por utilizar as bases de dados multidisciplinares Web of Science, Scopus e Google Scholar e estratégia de busca usando palavras-chave e operadores booleanos. Como achados, aponta-se que na legislação brasileira existem leis esparsas que cobrem delitos conforme eles vão acontecendo, porém não resolvem o problema permanentemente. Existem países com legislações centralizadas e outros, como EUA, onde cada estado dita suas leis.
Referências
DODAJ A, PRIJATELJ K, KUTEROVAC Jagodić G (2024) Sexting Behavior Among Youths. Psihologijske teme 33::171–189. Disponível em: https://doi.org/10.31820/pt.33.1.9. Acesso em: 15 jul.2024.
ENGLANDER E, MCCOY M. Sexting — Prevalência, Idade, Sexo e Resultados. JAMA Pediatr. 2018;172(4):317–318. Doi:10.1001/jamapediatrics.2017.5682.
MEDEIROS, Cláudia Lúcio de. Deficiências da legislação penal brasileira frente aos crimes cibernéticos. Artigo Científico. Universidade Estadual do Ceará. Fortaleza, 2010. Disponível em: https://consorciobdjur.stj.jus.br/vufind/Record/oai:bdjur.stj.jus.br.col_2011_8:oai:localhost:2011-178793/Details. Acesso em 20 jul.2024.
SCHEECHLER CORONA, Christian. Aspectos fenomenológicos y políticos-criminales del sexting. Aproximación a su tratamiento a la luz del Código Penal chileno. Polít. crim. [online]. 2019, vol.14, n.27, pp.376-418. ISSN 0718-3399. Disponível em: http://dx.doi.org/10.4067/S0718-33992019000100376. Acesso em: 07 Ago.2024
STRASBURGER VC, ZIMMERMAN H, TEMPLE JR, MADIGAN S (2019) Teenagers, Sexting, and the Law. Pediatrics 143::e20183183. Disponível em: https://doi.org/10.1542/peds.2018-3183. Acesso em:01 Ago.2024.