MÁQUINA DE GUERRA DO CAPITAL

A LOGÍSTICA BÉLICA DAS POLÍCIAS BRASILEIRAS

Autores

  • Tricieli Radaelli Fernandes Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – Santa Maria/RS, Brasil

Palavras-chave:

Estado securitário e de vigilância; máquina de guerra do capital; neoliberalismo; polícias brasileiras.

Resumo

O trabalho busca correlacionar as implicações entre a máquina de guerra do capital, o Estado securitário e de vigilância e a guerra contra a população enquanto elementos constitutivos e basilares para a logística de guerra utilizada pelas polícias brasileiras. Viabilizando traçar um caminho esclarecedor a esta problemática, o texto encontra-se estruturado em três seções: primeiramente, compreende-se o neoliberalismo enquanto chave estratégica para o desempenho da máquina de guerra do capital indissociável da relação seres humanos e máquinas técnicas; após, analisa-se o fomento a um constante estado de insegurança no qual germina a necessidade de implementar um Estado securitário e de vigilância manifesto na logística de guerra operacional das polícias brasileiras, para chegar-se, por fim, na terceira parte, que confronta a dificuldade em demarcar a intersecção entre o civil e o militar, sobre a qual o papel das polícias é essencial para, igualmente, borrar as fronteiras onde se encontram violência e direito para tornar possível a promoção da condição de “guerra civil” contra a população subalternizada. A metodologia se organiza a partir do método do materialismo histórico pelo viés de Antonio Negri.

 

 

Biografia do Autor

Tricieli Radaelli Fernandes, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – Santa Maria/RS, Brasil

Mestranda em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Bolsista DS/CAPES; Membro do Grupo de Pesquisa Núcleo de Estudos do Comum (NEC) registrado junto à UFSM/RS e ao CNPQ; Pós-graduada em Direito do Trabalho e Direito Processual Civil pela Faculdade Dom Alberto – Santa Cruz do Sul; Graduada em Direito pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e Missões – Uri Campus Santiago. E-mail: tricieli.radaelli@acad.ufsm.br.

 

Referências

ANISTIA INTERNACIONAL. Anistia Internacional – Informe 2020/2021: o estado de direitos humanos no mundo. Disponível em: <https://anistia.org.br/wp-content/uploads/2021/04/anistia-internacional-informe-anual-2020-21_versao-revisada-01.pdf>. Acesso em: 20 set. 2022.

ALLIEZ, Éric; LAZZARATO, Maurizio. Guerras e capital. Tradução: Pedro Paulo Pimenta. São Paulo: Ubu, 2021. E-book.

BERARDI, Franco. Asfixia: capitalismo financeiro e a insurreição da linguagem. Tradução: Humberto do Amaral. São Paulo: Ubu Editora, 2020.

BROWN, Wendy. Nas ruínas do neoliberalismo: a ascensão da política antidemocrática no Ocidente. Tradução: Mario A. Marino; Eduardo Altheman C. Santos. São Paulo: Filosófica Politeia, 2019.

BUTLER, Judith. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. Tradução: Fernanda Siqueira Miguens. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. E-book.

BUTLER, Judith. Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto? Tradução: Sérgio Lamario; Arnaldo Marques da Cunha. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

CASARA, Rubens. Contra a miséria neoliberal. [S.l.]: Autonomia Literária, 2021. E-book.

CASARA, Rubens R.R. Estado pós-democrático: neo-obscurantismo e gestão dos indesejáveis. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. E-book.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Vol. 2: A era da informação: economia, sociedade e cultura. Tradução: Roneide Venancio Majer. 6. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

CECCHETTO, Fatima Regina; MUNIZ, Jacqueline de Oliveira. Insegurança pública: exceção como rotina, excepcionalidade como o normal no Rio de Janeiro, Brasil. Ciênc. saúde coletiva, v. 26, n. 10, out. 2021. Disponível em: <https://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/inseguranca-publica-excecao-como-rotina-excepcionalidade-como-o-normal-no-rio-de-janeiro/18094?id=18094&id=18094>. Acesso em: 25 set. 2022.

DA REDAÇÃO. Relembre seis operações mais letais do Rio de Janeiro. Istoé, 26 set., 2022. Disponível em: <https://istoe.com.br/relembre-seis-operacoes-policiais-mais-letais-do-rio-de-janeiro/>. Acesso em: 5 out. 2022.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. V. Tradução: Peter Pál Pelbart e Janice Caiafa. São Paulo: Ed. 34, 1997. E-book.

DUARTE, Rodrigo Antonio de Paiva. Adorno/Horkheimer & A dialética do esclarecimento. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

FOUCAULT, Michel. Naissance de la biopolitiqae: cours au Collège de France (1979-1979). Paris: EHESS/Gallimard/Seuil, 2004.

GANDRA, Alana. Cinco estados tiveram mais de 20 mil ações policiais durante a pandemia. Agência Brasil, 18 ago. 2022. Disponível em: <https://g1.globo.com/podcast/o-assunto/noticia/2022/09/23/massacre-do-carandiru-completara-30-anos-com-projeto-de-anistia-antes-de-condenacao-policial.ghtml>. Acesso em: 25 set. 2022.

HARTD, Michael; NEGRI, Antonio. Multidão: guerra e democracia na era do Império. Tradução: Clóvis Marques. Rio de Janeiro: Record, 2005.

LAZZARATO, Maurizio. Fascismo ou Revolução: o neoliberalismo em chave estratégica. Tradução: Takashi Wakamatsu; Fernando Scheibe. São Paulo: N-1 Edições, 2019.

LAZZARATO, Maurizio. O governo das desigualdades: crítica da insegurança neoliberal. Tradução: Renato Abramowicz Santos. São Carlos: EdUFSCAR, 2011.

MASSACRE do Carandiru completará 30 anos com projeto de anistia antes de condenação policial: população carcerária brasileira é a terceira maior do mundo três décadas após maior tragédia da história. G1, 23 set. 2022. Disponível em: <https://g1.globo.com/podcast/o-assunto/noticia/2022/09/23/massacre-do-carandiru-completara-30-anos-com-projeto-de-anistia-antes-de-condenacao-policial.ghtml>. Acesso em: 23 set. 2022.

MBEMBE, Achille. Políticas da inimizade. Tradução: Marta Lança. Portugal: Editora Antígona, 2017.

MEDEIROS, Ana Paula. Emoções como o medo e a esperança são ferramentas de mobilização de massas na política: além desses sentimentos, o pânico moral, o viés de confirmação e as fake news são outros instrumentos utilizados em discursos políticos e campanhas eleitorais. Jornal da USP, 17 out. 2022. Disponível em: <https://jornal.usp.br/atualidades/emocoes-como-o-medo-e-a-esperanca-sao-ferramentas-de-mobilizacao-de-massas-na-politica/>. Acesso em: 18 out. 2022.

MIRANDA, Ana Paula Mendes de; MUNIZ, Jacqueline de Oliveira. Domínio armado: el poder territorial de las facciones, los comandos y las milícias em Río de Janeiro. Revista Voces em el Fenix, v. 68, p. 44-49, 2018. Disponível em: <https://app.uff.br/riuff/handle/1/11951>. Acesso em: 10 out. 2022.

MUROS E GRADES. Compositores: Augusto Licks; Humberto Gessinger. Intérprete: Engenheiros do Hawaii. Rio de Janeiro: RCA Records, 1991. Disponível em: <https://www.letras.mus.br/engenheiros-do-hawaii/45733/>. Acesso em: 1 out. 2022.

POLÍTICA e a tática afetiva do medo. Instituto Humanitas Unisinos, 28 set. 2021. Disponível em: <https://www.ihu.unisinos.br/categorias/613204-politica-e-a-tatica-afetiva-do-medo>. Acesso em: 2 set. 2022.

RECUERO, Raquel; GRUZD, Anatoliy. Cascatas de fake news políticas: um estudo de caso no Twitter. Galáxia, São Paulo, n. 41, p. 31-47, maio-ago. 2019. Disponível em: Acesso em: <https://www.scielo.br/j/gal/a/Kvxg4btPzLYdxXk77rGrmJS/?lang=pt>. Acesso em: 5 set. 2022.

REDAÇÃO OPERA MUNDI. Anistia Internacional exige respostas sobre violência policial no Brasil: órgão cobra respostas do Ministério da Justiça e Segurança Pública pela morte de Genivaldo Santos em Sergipe e da chacina no Complexo da Penha. Opera Mundi UOL, 27 maio 2022. Disponível em: <https://operamundi.uol.com.br/direitos-humanos/74767/anistia-internacional-exige-respostas-sobre-violencia-policial-no-brasil>. Acesso em: 7 out. 2022.

SANTOS, Eliane. Operação da Vila Cruzeiro é a 2ª mais letal da história do Rio, atrás só da ação do Jacarezinho: operação na Vila Cruzeiro contabiliza ao menos 24 mortos, mas número pode aumentar. Jacarezinho, no ano passado, somou 28 óbitos. G1, 24 maio 2022. Disponível em: <https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2022/05/24/veja-as-operacoes-policiais-mais-letais-do-rio-de-janeiro.ghtml>. Acesso em: 20 set. 2022.

SIMONON, Gilbert. L’Individu et sa génèse pshyco-biologique. Paris: Presses Universitaires de France, 1969.

TELES, Edson. Direitos humanos, ação política e as subjetivações oceânicas. Philósophos, Goiânia, v. 23, n. 1, jan./jun., p. 243-273, 2018. Disponível em: <https://revistas.ufg.br/philosophos/article/view/50095>. Acesso em: 22 set. 2022.

TIBURI, Márcia. Complexo de vira-lata: análise da humilhação brasileira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021. E-book.

TZU, Sun. A arte da guerra. Tradução: Sueli Barros Cassal. Porto Alegre: L&PM, 2012.

WERMUTH, Maiquel Ângelo Dezordi. Biopolítica e polícia soberana: a sociedade escravocrata como chave de compreensão da violência e da seletividade punitiva no Brasil. Revista de Direitos Fundamentais & Democracia, v. 23, n. 3, set./dez., p. 284-309, 2018. Disponível em: <https://revistaeletronicardfd.unibrasil.com.br/index.php/rdfd/article/view/1262/564>. Acesso em: 10 jul. 2022.

Downloads

Publicado

2025-10-02